quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

As pessoas não precisam de líderes.

Não pense que não acredito em liderança e sua importância no desenvolvimento humano, mas tive um sonho que gostaria de compartilhar com você.

Eu sonho com o dia em que as pessoas não precisem mais de líderes, não estou me referindo aos falsos líderes, mas a qualquer tipo de líder.

Cada um seria o líder de si mesmo.

Isso significa que cada ser humano alcançou o seu ápice evolutivo comportamental e técnico, ou seja, atingiu a excelência no que faz, está preparado para encarar os seus pontos de melhoria, sabedor de que a perfeição não existe e a sua melhor chance de melhoria é de livre e espontânea vontade unir-se a outras pessoas para assim suprir as suas fragilidades sem que alguém precise lhe falar alguma coisa.

Não haveria necessidade de dizer o que deve ser feito, pois as pessoas saberiam o que precisa ser feito e se antecipariam em fazê-lo.

Não haveria jogos de poder já que todos sabem o lugar ou posição onde é mais produtiva e feliz, a pessoa ao seu lado não competirá com você, pois ambos sabem que possuem competências e talentos diferentes que de forma sinérgica os torna únicos para exercer a sua função.

Henry David Thoreau, em sua obra “Desobediência civil”, cita o lema "O melhor governo é o que menos governa", Além disso, afirma que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com consciência.

Thoreau, em sua primeira frase, alerta para quanto menor a intromissão melhor os resultados desde que as pessoas estejam preparadas para isso como em meu sonho.

Também levanta a teoria de que se cada um possuir a consciência do seu papel dentro do sistema saberá como exercer melhor a sua função não existindo assim motivos para nomear líderes para orientá-las, elas fariam isso por si só.

Nesse novo mundo utópico cada pessoa sabe exatamente o que deseja, por isso não mais necessita de outrem que lhes forneça respostas que ela mesma já conhece.

Esse novo ser humano que vive em meus sonhos seria autoconsciente demais para se sujeitar a alguém, não ser o primeiro no comando, ser apenas um útil serviçal ou instrumento de qualquer outra pessoa já que todos estão exercendo o limite máximo de excelência por não desperdiçar nenhum de seus talentos e competências disponíveis.

As pessoas atingem o seu ponto de equilíbrio e paz, pois descobrem que tudo o que necessitam e almejam está dentro delas, basta comprometimento com o próprio desenvolvimento já que os seus talentos brotam e frutificam ao seu redor.

É assustador pensar que o papel do líder somente existe porque as pessoas atualmente não exercem o seu pleno potencial de desenvolvimento, se acomodam em suas crenças e limitações servindo ao mundo não com a sua máxima excelência, usando sua mente e coração, mas sim como máquinas, entregando apenas os seus corpos.

Já imaginou um mundo onde as pessoas fossem seguras o suficiente para acreditarem em si mesmas e expressarem todo o seu potencial ilimitado em prol de um bem comum?

Não precisaríamos de líderes.

Roberto Recinella
Certified Professional Coach , especialista em Gestão do Capital Humano , formado em Coaching pela Academia Brasileira de Coaching licenciada pelo BCI – Behavioral Coaching Institute.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Os pilares da competência

O Brasil conta hoje com milhões de trabalhadores que não conseguem um emprego devido à falta de qualificação profissional para ocupá-los, isto é, não detém os conhecimentos e habilidades necessários às vagas que estão abertas. Um problema maior ainda quando se constata que geralmente a empresa contratante não possui tempo para qualificá-lo nem mesmo disposição para tanto.

Todavia, para quem já está empregado e possui qualificação, a busca deve ser pela competência. E o que é ser competente? É efetivamente entregar à empresa todo o seu potencial que acaba sendo decisivo para o alcance de resultados excepcionais no próprio trabalho. É exceder, fazer aquilo que poucos poderiam realizar.

E posso afirmar com segurança que a mola propulsora da competência está diretamente relacionada aos comportamentos e atitudes do profissional em seu cotidiano de trabalho. É por isto que existe muita gente com uma sólida formação, mas carreiras medíocres. Geralmente estas pessoas têm vícios comportamentais que prejudicam seu desenvolvimento e o pior é que nem conseguem perceber isto, como é o caso de quem deseja atuar como gestor e desconhece o que é ser proativo ou ter senso de urgência.

Ao conduzir um processo de seleção, o recrutador consegue detectar de maneira fácil os conhecimentos e habilidades do profissional avaliado (portanto, sua qualificação) que estão expressos no currículo e também foi objeto da entrevista, mas só depois de empregar esta pessoa e vê-la trabalhando é que poderá saber se as suas atitudes e comportamentos revelam alguém competente ou não. Aliás, isto explica o porquê do contrato de experiência.

Pensando nisto, uma saída encontrada pelas empresas que precisam contratar tem sido estimular seus colaboradores a fazerem indicações de pessoas que conhecem e poderiam trabalhar por lá. É que ao indicar alguém o profissional referenda e assina embaixo que aquele trabalhador não possui desvios de conduta, por exemplo – ou pelo menos não deveria tê-los. Sendo assim, tenha o cuidado de indicar pessoas que são competentes e não apenas os amigos próximos que se encontram desempregados.

Também vale destacar que há situações nas quais as companhias contratam pessoas com grande capacidade comportamental, mas pouco qualificadas para o cargo que passarão a ocupar. É que nestes casos a empresa sabe que o custo de treiná-lo é muito menor do que o de encontrar alguém tão criativo, perspicaz, com espírito de liderança, foco em resultados e tudo mais que já possui em seu menu e não precisará ser desenvolvido.

Concordo que para muitos cargos operacionais basta a qualificação e os profissionais se mantém empregáveis exatamente porque detém aquilo que elas, as empresas, necessitam. Todavia, em ocupações de nível tático e estratégico este raciocínio não é válido.
Os conhecimentos e habilidades ajudam alguém a ser contratado, enquanto que os comportamentos e atitudes o tornam um alpinista organizacional. Comece a notar a partir de hoje: geralmente as pessoas são demitidas ou promovidas por seus comportamentos.


Wellington Moreira
Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresarial.